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Edicão 91
| Sangue Novo
Jovens Designers falam de seus sonhos, expectativas e realizações |
Por Maria Edicy Moreira
Com tantos designers novos saindo das escolas de design fica cada vez
mais difícil os novos profissionais entrarem no mercado de trabalho, mas
isso não significa que exista espaço para quem tem talento e persistência.
A
Design Gráfico realizou uma mesa-redonda com um grupo de jovens designers para
conhecer de perto como está sendo a inserção dos novos profissionais no mercado
de trabalho.
O debate mostrou que os desafios, por maiores que sejam, podem ser
superados. Seja como free-lancer, como empregado ou como empresário eles acaba se
profissionalizando.
Participaram do debate: André Heib, que trabalha na Amcham (Câmara de
Comércio Americano); André Ricci e Bárbara Emanuelle, sócios na Rizoma Design,
(participaram do debate por e-mail); Marina Chaccur, que atua como free-lancer e
Rodrigo Longo, contratado pela Editora Paulus.
(Veja a seguir os melhores momentos
do debate):
DG – Como eram suas expectativas em relação ao mercado e o que vocês
perceberam quando chegaram?
André Heib – Eu trabalho com design há mais de sete anos, desde quando
comecei a fazer um curso técnico sobre design e comunicação. O curso tinha muito
fundamento, depois fui fazer design digital na Anhembi Morumbi e lá os trabalhos
eram mais práticos.
Comecei a ter contato com as tecnologias e a desenvolver
trabalhos interdisciplinares em grupo envolvendo pesquisas e, paralelamente
trabalhava com design.Desde quando iniciei o curso técnico já procurei alguma coisa
para fazer para ir aprendendo.
Comecei criando convites para baladas, uma amiga
me convidou para fazer o trabalho. Sempre gostei de trabalhar com criação; a parte
mais difícil é lidar com os clientes porque você tem de fazer valer seu trabalho. Depois
fui trabalhar em uma agência de publicidade e hoje estou na Amcham (Câmara de
Comércio Americano).
Todo mundo que começa a estudar design já se imagina dentro
de uma agência, aquele mundo deslumbrante com muito trabalho legal e já quer
começar fazendo aquilo, mas quando chega você leva um choque porque não é nada
aquilo que você vai fazer. Primeiro vai ter de passar por vários processos até chegar àquele patamar.
André Ricci – As etapas de desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos baseadas
pesquisa conceitual aprofundada sobre o assunto; levantamento iconográfico;
projeto de criação e finalmente a produção, são uma utopia no mundo real do design
brasileiro.
Quando saímos da faculdade descobrimos que no mercado profissional
aquele tempo de que dispúnhamos na faculdade para elaboração de um trabalho
não existe e talvez a adaptação ao ritmo intenso do mercado seja um dos grandes
desafios enfrentados na transição do mundo acadêmico para o profissional.
Percebemos também que o mercado é muito amplo, e para cada perfil de cliente e
produto um código particular, uma linguagem específica. Não perceber isso é esquecer
que o design é acima de tudo comunicação, porém, isso de certa forma entra em
conflito com o desenvolvimento de uma linguagem própria tão buscada por todos os
profissionais de design e arte.
Bárbara – Em todo o percurso acadêmico, entendemos a grande necessidade que o
designer tem em desenvolver um bom trabalho através de uma boa fundamentação
teórica. O desafio maior para o designer que chega ao mercado trabalho,
principalmente, aqueles acostumados a projetos grandes, mas com longos prazos para
serem desenvolvidos, é o fato de ter de encarar o desafio de resolver grandes projetos
com pouco tempo para fundamentá-lo adequadamente.
A criatividade e a função
do trabalho e da peça desenvolvida são, muitas vezes, sacrificadas pela produção
acelerada das agências que cada vez mais oferece muito menos daquilo que deveria
ser a prioridade.
Marina – Eu entrei na faculdade para fazer design de produto e lá descobri o design
gráfico, que acabou sendo a minha opção. No meio do curso já começaram a surgir
alguns trabalhos e eu tive que aprender a trabalhar como designer no susto. Começei
a trabalhar como free-lancer desde 2000 e nunca mais parei. Acabei nem procurando
um emprego fixo porque me envolvi com várias atividades extra-curriculares, e os
clientes me procuravam por indicação, mesmo assim passei alguns meses entre um
escritório de design e uma editora/ type foundry.
Eu não tinha grandes expectativas
quanto ao mercado de design, não imaginava nenhum glamour porque aos poucos
você vai construindo sua carreira e, não adianta em dois dias, querer estar no mesmo
patamar de quem tem trinta ou quarenta anos de experiência.
Rodrigo – Quando entrei no curso de design não tinha muita noção. Imaginava
fazer publicidade, mas depois li sobre design gráfico e resolvi fugir da publicidade. Fui
fazer o curso de design sem saber bem o que era e no fim acabei me apaixonando.
Na UniFMU alguns colegas e eu criamos um grupo de trabalho para prestar serviço.
Apareceram uns três ou quatro trabalhos, mas o grupo não deu certo, arranjei outro
emprego que não tinha nada a ver com design, mas tinha alguma relação com artes
gráficas. Havia me inscrito no CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) para
conseguir um estágio e já nem esperava mais quando eles me igaram convidando para
trabalhar na Editora Paulus.
Fui com a cara e a coragem, falei com eles: “Olha estou
aprendendo”. Eles me deram muito apoio. Tinha feito cursos de PageMaker, Photoshop
e CorelDraw, mas quando vi aquele tanto de catálogos e capas de livros pensei “Tô
ferrado! Mas eu tinha suporte na FMU e também minha diretora de arte na Paulus me
deu total apoio. Eu já tinha noção do que eu queria, mas ainda não sabia como era
a experiência de trabalhar com design gráfico. Quando comecei a pegar campanhas
promocionais sobre os livros para fazer eu ficava nervoso, comecei a aprender na
marra. Errei em algumas coisas, mas fui aprendendo. No começo eu dei um prejuízo.
Era para imprimir mil unidades de um trabalho e eu mandei imprimir oito mil, mas eles
foram compreensivos comigo e eu continuei trabalhando; já estou lá há quatro anos.
Fiz um ano de estágio, depois que a designer saiu eu passei de estagiário a designer.
O mais legal é que nós fizemos o departamento de design crescer, hoje temos três
designers, um redator, quando entrei eram só a diretora de arte, mais uma pessoa e
eu como estagiário de design. Nós conseguimos mostrar à diretoria da empresa que o
departamento de design dava resultado. Hoje, além de trabalhar na Paulus, continuo
trabalhando como free-lancer, faço identidade visual, peguei trabalhos de uma
empresa de eventos.
No começou não sabia como lidar com os clientes, levei muito
calote. Minha maior dificuldade como free-lancer foi quando arranjei um cliente que
pensava que eu trabalhava só para ele. Qualquer hora do dia ele me ligava querendo
alterar tal coisa. Ele não sabia o que queria, conversamos, mas ele não sabia o que
queria, no fim não deu certo.
De um ano para cá, na Paulus, tenho mais contato com
clientes, fornecedores, converso com os autores de livros e isso me ajudou a ganhar
experiência porque antes eu não tinha aquela malícia para conversar com os clientes.
Veja o debate completo em Design Gráfico 91
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