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Edicão 90 Os 10 anos de Design GráficoDez anos é um largo período de tempo. As coisas mudam, novas tecnologias aparecem, pessoas aparecem e desaparecem, crises sobrevêm e outra vez passam. “Design Gráfico” comemora nesta edição seu aniversário de dez anos. Foram 90 edições, sob diferentes contextos. Em 1996, quase não havia design gráfico no Brasil. Para começar, não havia uma só escola desta disciplina. Arquitetos, designers industriais e autodidatas planejavam a identidade visual de empresas, negócios, comércios e marcas. A globalização, para o bem e para o mal, mudou muitas coisas, talvez nem tantas assim. Mas trouxe as franquias –ou franchises– mundiais em que o que se vende, o que se franqueia ao associado é a padronização (de regras, procedimentos, tecnologia e –ouso– principalmente visual, de projeto gráfico em logomarcas, uniformes, manuais de identidade). As franquias impuseram uma ova cara ao mercado. Quase todas as marcas nacionais, a começar pelas grandes, claro, mais expostas à concorrência, reformularam seus logos, suas personalidades. Nem sempre essas mudanças visuais foram acompanhadas de reais mudanças de atitude, mas essa já é outra história. Os designers brasileiros, com a criatividade e flexibilidade que é característica brasileira de quem tem que driblar sempre a falta de um recurso precisamente adequado, evoluíram enormemente. Buscaram identidade, se renovaram, se profissionalizaram. Aqui, como lá, houve o medo pânico dos folclóricos micreiros, ou sobrinhos de empresários, em geral, capazes de criar um logo a cada dez minutos com a ajuda de um PCzinho e dois softwares piratas –por dezoito reais cada. Naturalmente, a ameaça não se concretizou, mas a concorrência se acirrou. Os jovens mais talentosos logo se apresentaram ao mercado, foram em busca de repertório, de profundamento teórico, de bagagem, e ocupam vagas em estúdios –ou em seus próprios birôs de serviço. Principalmente o design se disseminou entre nós. Em todas as áreas, ele hoje é parte do processo de comunicação de uma empresa brasileira, elemento básico de composição da imagem de uma marca. Ninguém mais o desconhece... Um velho (velhíssimo) ditado afirma que “elogio em boca própria é vitupério” (xingamento), e é muito possível que assim seja mesmo. Mas não podemos deixar de reinvindicar uma mínima parcela de participação nesse movimento de popularização e disseminação do design gráfico. Cumprimos, com as limitações empresariais e editoriais que se nos impõem, o papel de imprensa especializada do setor, ventilando, debatendo, aprofundando a discussão, ora polêmica, ora consensual. À revista “Design Gráfico”, experimentalista, sempre faltou (sim, também é hora de autocrítica), paradoxalmente, design gráfico. Apesar da colaboração de importantes e conhecidos designers e professores no projeto destas páginas, continuamos experimentando, brincando, nos divertindo em fazê-la e mudá-la a cada edição. Boa leitura, obrigado sempre pelo seu prestígio. |
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