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  MESA - REDONDA  
  Sangue novo jovens Designers falam de seus sonhos, expectativas e realizações  
     
 
  ILUSTRAÇÃO  
  Rubens Lima  
     
 
  PORTIFÓLIO  
  Thales Brandão  
 


 

Edicão 89
A vida em pixels
Câmeras digitais despertam desejo de fotografar
    “As câmeras digitais são objetos do desejo para a maioria dos consumidores. Quem não tem, quer ter uma.”, afirma Flávio Takeda, gerente de marketing da Fijifilm. Essa é uma síntese que traduz muito bem a mini-revolução que a fotográfica vem provocando nos conceitos de captura de imagens e na relação que as pessoas têm com a fotografia.
Evoluindo de forma acelerada em termos de recursos tecnológicos e de design essas maquininhas seduzem cada vez mais consumidores principalmente jovens que gostam de estar com amigos, viajar e registrar todos os momentos. Mas não pense que a foto digital é uma tecnologia apenas para jovens, independente da sua idade, você certamente vai ser seduzido por esse objeto do desejo.
    Além de atender ao público que as utiliza para o laser e por hobby, as câmeras digitais estão facilitando a atuação de muitos profissionais como os designers, os publicitários e os decoradores que usam as câmeras digitais para registrar objetos e cenas que irão compor suas idéias em futuros projetos.
    Os arquitetos acabaram com aquela tarefa chata de ficar digitalizando fotos para inserir seus projetos no cenário onde serão construídos. Os cineastas podem fotografar um cenário natural ou artificial, as roupas ou os próprios atores para planejar as filmagens. Esses são apenas alguns exemplos do uso da fotografia digital –principalmente amadora- na vida profissional.
    As câmeras analógicas ainda dominam o mercado mundial. No Brasil estima-se que existam 28 milhões de câmeras fotográficas sendo: 6 milhões de modelos digitais e 22 milhões de analógicas. No mercado mundial estima-se que existam 800 milhões de analógicas contra 200 milhões digitais.
    Porém, esse domínio está com os dias contados. Em 2004 foram vendidas no Brasil 2 milhões de câmeras analógicas, contra 1 milhão de modelos digitais. Em 2005 os números deverão inverter. Prevê-se que sejam vendidas no mercado brasileiro 1,5 milhão de analógicas e 2 milhões de modelos digitais.
    No mercado mundial as digitais já ultrapassaram as analógicas desde 2004 quando foram vendidas 10,1 milhões de analógicas contra 59,8 milhões de modelos digitais. As vendas de camphone, celulares com câmeras digitais, crescem ainda mais.
    Edmundo Salgado, diretor de relações com o mercado, da Abimfi (Associação Brasileira de Material Fotográfico de Imagem), observa que à medida que as camphones ganham mais resolução (acima de 2 Megapixels) e mais qualidade em termos de lente, a possibilidade de substituição das câmeras analógicas e das próprias câmeras digitais pelas camphones é grande.
    “Estima-se que para os próximos anos o mercado mundial de câmeras digitais registre a venda anual entre 100 milhões e 120 milhões de unidades, enquanto as camphones poderão chegar aos 400 milhões ao ano”, afirma Salgado.
    Um dos poucos obstáculos que talvez possa arranhar a expansão das vendas de camphones em massa está na bateria. Salgado observa que os celulares ainda consomem muita carga quando usados como câmeras. Por isso, as câmeras digitais “puras” ainda podem manter seu espaço, mesmo sem crescimento geométrico. Outro ponto a favor das câmeras digitais, é a possibilidade de o usuário contar com mais recursos. “Elas vão continuar com a preferência dos hobbistas, por exemplo”.
    Apesar dos números expressivos relacionados à multiplicação das camphones, Flávio Takeda, da Fujifilm, diz não há possibilidade de substituição total das câmeras digitais “puras” pelas camphones porque as duas categorias são dirigidas a mercados distintos.
    Francisco Tadeu da Silva, gerente de vendas da T.Tanaka, distribuidora da Nikon, também não acredita nessa possibilidade. “As camphones são para fotos eventuais, ninguém vai fazer fotos de férias ou da lua-de-mel, por exemplo, com esse tipo de equipamento”.
    A explosão do mercado de camphones assusta alguns fabricantes de câmeras digitais “puras”, mas não todos. Quem fabrica câmeras, mas também atua no mercado de suprimentos para impressão, como é o caso da Kodak, está comemorando. A empresa vê na convergência uma gente oportunidade de negócios e não uma ameaça.
    “Nunca se fotografou tanto quanto agora. Para a Kodak quanto mais celulares com câmera que possam tirar fotos de qualidade (pelo menos 2.0 Megapixels) melhor. A nossa aposta é que o consumidor ao clicar mais com o celular, necessariamente imprimirá muito mais também”, afirma Fernando Bautista, diretor geral da divisão de fotografia da Kodak Brasil.
    Além disso, ele diz que a Kodak tem a chance de vender a tecnologia de fotografia para as empresas que fabricam celulares com câmera. Hoje a maioria da tecnologia usada por essas empresas já é da Kodak.

Você ainda vai ter uma
    A verdade é que seja na forma de câmeras digitais ou de camphones a fotografia digital veio para ficar e ganha a cada dia um design mais apurado e recursos tecnológicos que tornam a vida dos usuários mais fácil e aprimora a qualidade das fotos. “A exemplo do mercado de informática, as câmeras digitais se modernizam rapidamente aumentando a velocidade de giro dos produtos no mercado. O giro de lançamentos de será cada muito rápido e os consumidores serão cada vez mais exigentes”, afirma Flávio Takeda, da Fujifilm.
    Quando se fala em inovações tecnológicas é fácil perceber, por exemplo, a evolução das câmeras rumo à resolução mais alta. Há um ano a maioria dos amadores ficava feliz com um modelo de 3.0 Megapixels enquanto hoje os iniciantes já querem equipamentos com pelo menos 4.0 ou 5.0 Megapixels.
    Além de aumentar os Megapixels, as câmeras digitais e camphones melhoraram a qualidade das lentes. “Já temos modelos com lentes sofisticadas, com a mesma tecnologia utilizada pela Nasa”, afirma Bautista. Há avanços importantes também nas tecnologias de zoom ótico e digital, captura de cores, ergonomia e design. As câmeras estão mais coloridas e menores.
    Os recursos para captura de vídeo evoluíram bastante de um ano para cá. Hoje mais modelos permitem capturar vídeo com som. A duração dos vídeos aumentou, algumas câmeras já não têm aquela limitação em segundos ou minutos, o limite está na capacidade de memória. Também as opções tecnológicas para captura de vídeo diversificaram. Dependendo do modelo escolhido ou usuário poderá gravar vídeos no formato AVI, em MPEG 4 ou em QuickTime.
    A Samsung, segundo seu gerente de marketing Cláudio Rosenbaum, está investindo em boas lentes (Schneider) e nos visores LCD para que eles permitam visualizar a cena que está sendo fotografada em tempo real e não uma imagem congelada.“Em alguns modelos mais sofisticados já há softwares que possibilitam fotografar um texto e manipulá-lo posteriormente”, afirma Rosenbaum. Além disso, há modelos da Samsung e de outros fabricantes com MP3.
    As câmeras digitais profissionais evoluíram em todos os níveis tecnológicos e se multiplicaram. Hoje é possível encontrar várias alternativas capazes de atender até os profissionais mais exigentes. Isso abre caminho e a mente dos fotógrafos profissionais para a aceitação da nova tecnologia. “Só agora os fotógrafos profissionais brasileiros começam a perceber as vantagens que a tecnologia digital pode lhes trazer. É uma questão cultural”, afirma Rosenbaum.
    Isso não quer dizer que os fornecedores tenham deixado o mercado amador de lado. Pelo contrário, de os maiores investimentos estão voltados para esse segmento de mercado. A T.Tanaka, por exemplo, atuava principalmente no mercado profissional. Hoje, segundo Tadeu da Silva, 70% dos equipamentos vendidos vão para o mercado amador e 30% para o mercado profissional.

São tantas impressões
    O aumento da resolução dos equipamentos e uma intensa campanha das lojas de fotos que, a cada dia, surgem com um novo minilab ou um quiosque de auto-atendimento oferecendo serviços de impressão a custos mais acessíveis estão despertando nos consumidores o interesse pela impressão de suas fotos.
    Bautista, da Kodak, diz que os usuários estão percebendo que nada substitui o papel. Esta mídia oferece mais facilidades na hora de mostrar o álbum de fotografias, porque não depende da tela de um computador ou DVD, e mais durabilidade tendo em vista que as mídias digitais não têm garantia de 100 anos como tem o papel.
    Segundo ele, pesquisas indicam que nos próximos três anos a impressão doméstica deverá crescer 27%, a impressão em lojas 93% e a impressão on-line 74%. Isso se deve às facilidades de impressão e à queda nos custos de impressão que hoje custa em média de 0,85%, um preço compatível com as cópias de filmes.
    “Com a melhoria da resolução das câmeras digitais as pessoas passaram a sentir mais confiança em imprimir suas fotos. Além disso, o varejo especializado em serviços de impressão aumentou sua base de equipamentos ampliando, conseqüentemente, a capacidade de atendimento à crescente demanda”, afirma Edmundo Salgado, diretor da Abimfi e gerente comercial da Noritsu do Brasil, empresa japonesa fabricante de minilabs.
    Uma prova do crescimento das vendas de minilabs pode ser contatada nos números dos mercados brasileiro e mundial. Salgado diz que o Brasil deverá aumentar sua base instalada de minilabs digitais de 744 em 2004 para 1.110 equipamentos até o final de 2005. A previsão para daqui a quatro anos é chegar a uma base instalada de 3.000 máquinas. O mercado mundial conta atualmente com aproximadamente 50.000 máquinas.

Mudança de hábito
    “A foto digital tornou o hábito de fotografar símbolo de status. Antes as pessoas escondiam as câmeras e hoje as ostentam assim como o fazem com o celular. Isso influenciou os jovens que passaram a fotografar mais pela mesma razão”, afirma Bautista, da Kodak.
    Esse é um exemplo de como a tecnologia digital está mudando os hábitos das pessoas com relação à fotografia e conquistando novos segmentos de mercado. É surpreendente o desejo de fotografar que a tecnologia desperta nos usuários de todos os segmentos sociais.
    “Antigamente, quem “sacasse” uma câmera fotográfica em um restaurante, barzinho ou estação de trem era visto como cafona. Também as pessoas só se lembravam de suas câmeras quando iam viajar. Hoje é normal você ver as pessoas se fotografando ou tirando fotos com amigos em qualquer tipo de ambiente. O produto passou a fazer parte do dia-a-dia do consumidor”, afirma Cláudio Rosenbaum.
    A fotografia digital que inicialmente era consumida principalmente pelas classes A e B, começa a fazer parte também do dia-a-dia das pessoas da classe C, graças à queda nos preços e às facilidades de pagamento. “Com a variedade de modelos e opções de preços e de pagamento disponíveis no mercado muitas pessoas já têm condições de adquirir sua primeira câmera digital”, afirma Tadeu da Silva.
    Pesquisas indicam os usuários de câmeras digitais tiram em média 480 fotos/ano contra 120 fotos/ano tiradas pelos usuários de câmeras analógicas. Em 2005 a estimativa é que o número de fotos tiradas com câmeras digitais, excluindo as camphones, chegue a um total de 1,5 bilhão de fotos. Somando os mercados de fotografia clássica -como alguns fornecedores preferem chamar a tecnologia analógica- e a fotografia digital o mercado global de fotografia deverá faturar US$ 105 bilhões, em 2008.

Veja a reportagem completa na edição 89!

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